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Trauma do Papai Noel

A passagem para a pré-adolescência é feita por um teste natural. Feita a partir do momento em que você esquece o seu personagem fantasioso, como o Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, e até a Fada dos Dentes. Mas principalmente o Papai Noel.

Bem, mesmo eu não sendo de uma família que comemora o natal – leia não ter uma árvore em casa e enfeitá-la e muito menos acender aqueles pisca-piscas super divertidos -, na minha infância eu acreditava no Papai Noel: maior símbolo do Natal (não vem me falar que é Jesus porque todo mundo sabe que Natal virou a data do Papai Noel, do Panetone/Chocotone e NADA MAIS).

Não condeno meus pais nem a mídia por terem colocado na minha cabeça que um velho gordo que sempre carrega consigo um saco vermelho, um dia iria entrar pela minha chaminé e me dar presentes enquanto dormia e a neve caia lá na escura e fria noite. Já que não neva no Brasil nem mesmo no inverno e praticamente nenhuma casa – a não ser pessoas ricas e chiques que tem lareira – têm chaminé, eu apenas fui informado para acreditar que o tal velho ia me dar presentes enquanto eu durmia no meu quarto, e que quando acordasse, lá estaria o presente.

ISSO parece a realidade.

Eu era uma criança. Não ia fazer perguntas “inteligentes” de como ele entrava na minha casa, como saia, como comprava o meu presente, como fazia a porra toda. Era a simples inocência de acreditar no Papai Noel.

Durante cerca de quatro anos ou menos, – não sei – , eu pedia para minha mãe escrever – até eu ter tal habilidade e começar a escrever por mim mesmo – uma carta pedindo os mais diversos presentes desejáveis na época para o velho barbudo. Sempre rolava de eu pedir presentes caros demais. É aí que meu pai ou minha mãe interviam e falavam “Se for muito cara o Papai Noel não vai te dar o presente. Pede uma coisa mais barato aê”. Claro que eles falavam isso na forma mais carinhosa possível para não me magoar.

O maluco era responsa 😦

Pouco antes do Natal, eu entregava a carta finalizada para meu pai para que ele colocasse no Correio com direção ao Polo Norte – ou pra outro lugar que meus pais falavam que ia, não lembro – e eu pudesse então esperar ansiosamente até a manhã de Natal, onde seria molestad…digo, surpreendido com o presente.

Foi então que em um fatídico dia, enquanto eu escrevia a tal carta para o velho, eu comecei a fazer perguntas variadas sobre como funcionava o sistema PapaiNoelTalino (nem Shakespeare faria tal junção de palavras de forma mais inovadora). Percebendo que eu não era tão mais bobo assim – apesar de continuar muito bobo, puta merda -, meus pais vomitaram as seguintes palavras à minha pessoa:

– Papai Noel não existe.

Isso soou para mim como:

“Luke, eu sou seu pai.”

Não creio que há melhor comparação.

Sério. Eu – provando que não tão inocente, ainda continuava burro – fiz várias perguntas e buscava algum argumento decente. Como assim o Papai Noel não existe? Quem dava os presentes pra mim então? “Seu pai era o Papai Noel o tempo todo”. Mas e o Polo Norte, e toda a história? “Tudo criação”. E os do shopping? “São pessoas diferentes em cada shopping :(“.

Isso é um momento marcante na vida de qualquer homem. Uma espécie de passagem para a pré-adolescência. É uma divisão geral das crianças no mundo: as que acreditam no homem do saco vermelho e as que não acreditam mais. Você tinha respeito após descobrir tal mentira. Era um dos escolhidos. Afinal, tudo não passa de uma mentira criada pela mídia feita apenas para que o Natal vire de vez uma data comercial (pelo menos hoje em dia é só pra isso. Até  aparece uma pessoa bondosa e resolve dar presente pra crianças e tal, mas é raro).

Óbvio que isso se tornou um trauma. Descobrir que aquilo que você acreditava e escrevia cartas não existe é bem traumatizante. Eu ia em shoppings e sentava na perna de Papai Noel. Ele tinha que ser real, ora. Eu via ele. Hoje tenho uma profunda raiva quando passo no shopping e vejo ele lá, sentado, cantarolando “ho ho ho”. Velho fedido. Pára de enganar as crianças, seu pedófilo gordo.

Quem tá mais feliz nessa foto?

Aliás, isso de “ver ele” me lembra uma história de quando eu estava no prezinho numa escolinha. Basicamente o cover do Papai Noel havia se atrasado e os professores e pessoas da escola usavam a desculpa que ele tinha atrasado o vôo do Polo Norte – o que contradizia a lenda das renas, mas como erámos crianças, a gente acabava acreditando. Quando ele finalmente chegou depois de várias horas, eu pensava: “Caramba, esse maluco tava no Polo Norte!”

******V.I.P******

Não é necessário dizer que eu tentava descontar o meu trauma em crianças que ainda não sabiam A VERDADE. Eu falava: “Papai Noel não existe”. Muleque 1 replicava: “Que que se tá falando? Lógico que existe!” Eu desistia de convencer o maldito Da verdade porque ele ainda não estava pronto para a pré-adolescência. Ele ainda era apenas um aprendiz. Ia perder pra vida e então descobriria, porém, tarde a verdade.

É claro que há diversos símbolos infantis além do Papai Noel, como Coelinho da Páscoa e a Fada dos Dentes. No entanto, esses não me afetaram muito. Tanto que eu nem lembro como parei de acreditar neles. Vai ver eu nunca sequer acreditei. Mas o Papai Noel foi de quebrar o coração. Graças a isso, toda vez que vejo um em época de natal, tenho a vontade de pegar um taco de beisebol e meter a porrada.

E você? Tem algum trauma com esses personagens infantis? Como foi descobrir que o pedófilo do saco vermelho não existia mais? Ou você ainda acredita? Eu quero saber a sua opinião! Escreve aí como é acreditar no velho do Polo Norte mesmo depois dos 20 anos!

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