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Pingo

Há quase seis meses eu não posto nada aqui. O motivo de eu voltar a postar aqui é a importância desse post.

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Como eu já tinha relatado aqui anteriormente, o meu cachorro, Pingo, estava em péssimas condições. Isso já faz bastante tempo também.  E sim, ele sobreviveu todo esse tempo, naquele estado. Inclusive, parecia que piorava cada vez mais, mas ainda assim, vivia.

O que nos impedia de sacrificá-lo era sua força em sobreviver. Ele não parecia sofrer. Esse era o grande motivo. Outro motivo era o nosso egoísmo natural em querer mantê-lo vivo conosco. Toda uma história, carinho e afeto foram reunidos nessa quase década ao lado do Pingo. Não é fácil decidir algo desse nível, mantê-lo vivo ao nosso lado, ou nunca mais vê-lo. E por fim, uma razão que nos deu uma fé inicial em acreditar que ele iria curar era que ele já tinha ficado num estado parecido há uns quatro anos. Naquela época ele sofreu de verdade. Chorava de dor pois não conseguia sequer levantar.  Chegou em um estado super crítico.  Mas ele sobreviveu e superou. Voltou melhor do que antes! Talvez com um certo medo de fazer algumas coisas, mas ainda assim, pulava, brincava. Era o mesmo cachorro feliz e saltitante de sempre. Eu, a partir de ali, o chamei de imortal. Imortal porque eu nunca imaginei que ele sobreviveria.

Esses motivos nos fizeram mantê-lo vivo. Não vou dar detalhes de como ele estava, mas não andava mais direito, estava cego e magrelíssimo. Só saia de sua casinha quando a gente pegava ele pra passear.

Ontem, dia 2 de abril,  nós o sacrificamos. Todos chegamos a essa conclusão. Não havia outro jeito. Ele não parecia sofrer de verdade, mas era possível ver como ele era infeliz. Não vivia do jeito que deveria. Seu espírito de cachorro brincalhão já havia morrido. Era sempre triste vê-lo. Sempre. Pessoas que o conheceram pessoalmente não o reconheciam e muitas se negavam a vê-lo novamente. Pois era entristecedor ver como todo o brilho do Pingo tinha ido embora.

Ele não brincava mais, vivia bravo. E, aos poucos, eu meio que me distanciei dele. Me sinto um pouco mal por isso. Mas minha vida começou a virar uma correria, e quando ia vê-lo era ignorado. Ele não queria meu carinho. Parece que ele sentia vergonha em estar daquele jeito, sabe?

E independente de esses últimos meses não estarmos tão próximos, foi duro me despedir dele. De verdade. Eu sempre quis ter um cachorro e ele foi o meu primeiro. Foi o meu melhor amigo por muito tempo, mesmo apesar de seu temperamento meio esquentado e até ter me mordido seriamente. Até eu me morderia se eu fosse ele, criança é chata pra caramba, hahaha. É dificil não lembrar de todos os momentos que passamos juntos, dos vários sorrisos que eu dei só de vê-lo fazer algum truque, ser esperto demais pra um cachorro.

Meus pais foram incríveis. Cuidaram dele com todo o carinho do mundo mesmo depois de toda essa fase. É incrível ver quão afetuoso e bondoso pode ser um ser humano.

Peço desculpas a ti, Pingo, por ter sido um dono regular. Eu sempre te amei. Te ver daquele jeito machucava e era impossível não deixar algumas lágrimas escorregarem. Te agradeço por ter tido amor incondicional e ter me amado também. Seu arrependimento, seu perdão, sua alegria em alegrar e afeto são coisas que muitas pessoas jamais terão. Você dançava” de um lado pro outro de alegria quando nos via depois de muito tempo sem nos ver. Você pulava como um canguru e corria como uma lebre. Dava voltas na casa todo em um momento de surto e pegava o seu próprio cobertor com a boca pra levar pra onde lhe convinha. Você foi super especial. Marcou minha pré-adolescência. Posso dizer que tive O cachorro.

O Pingo foi um herói. Forte. Não morreu. Foi morto. Continuou “imortal”. Uma lição de vida pra mim, pra todos nós. Não desistir nunca. Ele nunca desistiu. Ultrapassou os limites e continou ultrapassando.

Obrigado, Pingo. Meu menino…

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